sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Coletivo Mundo Ácrata convida todos a participarem de seu I CURSO LIVRE DE ANARQUISMO – TERCEIRO MÓDULO: Piotr Kropotkin –

O objetivo do curso é a discussão conjunta dos pensamentos, conceitos e práticas anarquistas "básicos", partindo de seus "clássicos". Convidamos todos aqueles que se interessem pelo tema, mesmo que não tenham qualquer estudo ou contato anterior com o anarquismo. Não é necessária a inscrição prévia ou qualquer tipo de pagamento; não é necessário ter participado do Primeiro e Segundo Módulo para cursar este. Haverá emissão de certificado.

INFORMAÇÕES DO TERCEIRO MÓDULO: PIOTR KROPOTKIN
→Datas:

•1° Encontro: 09/04 (Textos base: “Ajuda Mútua Entre Os Selvagens” In: Ajuda mútua e “Comunismo e Anarquia” In: O princípio anarquista e outros ensaios)

•2° Encontro: 30/04 (Textos base: "As Necessidades do Luxo" e "O Salariado  Coletivista" In: A conquista do pão e “Espírito de Revolta” In: Palavras de um revoltado)

*Texto complementar para os dois encontros: (“O que é anarquismo?”, de Nicolas Walter)

→Textos disponíveis na pasta 58, “Curso livre de anarquismo”, na Copiadora Formato (Segismundo Pereira, saída da biblioteca)

→Todos os encontros serão realizados aos sábados, às 14:00 h, sala 1H235, Campus Santa Monica/UFU.

 Uberlândia-Minas Gerais

NA OCASIÃO DOS ENCONTROS, A DISTRIBUIDORA MUNDO ÁCRATA ESTARÁ PRESENTE,COM LIVROS DE INTERESSE LIBERTÁRIO E ANARQUISTA DAS EDITORAS IMAGINÁRIO, FAÍSCA E OUTRAS. MAIS INFORMAÇÕES COLETIVOMUNDOACRATA@GMAIL.COM

Distribuidora de livros Mundo Ácrata

O Coletivo Mundo Ácrata anuncia que está atuando também como distribuidora de livros anarquistas e libertários em geral. Nosso objetivo com essa iniciativa é contribuir com a propaganda e divulgação do pensamento ácrata na região, uma vez que o acesso a esse tipo de literatura costuma ser difícil através de livrarias convencionais.
Os valores arrecadados com a venda dos livros serão destinados totalmente à manutenção das atividades do próprio Coletivo, como impressões de cartazes, fotocópias, custeio de materiais de eventos etc.
Estaremos presentes em eventos que se mostrem abertos à diversidade de pensamento, inicialmente em nossas principais bases: Uberlândia e Patos de Minas. Aos interessados de toda a região que desejarem também conhecer a história, filosofia, arte e política anarquistas e libertárias, enviamos também os livros pelo correio.
Contato: coletivomundoacrata@gmail.com
Seguem a lista e valores dos livros disponíveis      


“BOA EDUCAÇÃO, A”: EXPERIÊNCIAS LIBERTÁRIAS E TEORIAS ANARQUISTAS NA EUROPA, DE GODWIN A NEILL – VOLUME 1: A TEORIA
Francesco Codello * R$ 68,00 * 416 páginas * Imaginário / Ícone

HISTÓRIA DO MOVIMENTO OPERÁRIO REVOLUCIONÁRIO
Eduardo Colombo / Daniel Colson / Alexandre Samis / Maurizio Antonioli / Frank Mintz / Cláudio Venza / Rudolf De Jong / Larry Portis / Francisco Madrid / Marianne Enckell / Phillippe Pelletier * R$ 56,00 * 354 páginas * Imaginário

ESTATISMO E ANARQUIA
Mikhail Bakunin * R$ 45,00 * 267 páginas * Imaginário

PALAVRAS DE UM REVOLTADO
Piotr Kropotkin * R$ 45,00 * 278 páginas * Imaginário

REVOLUÇÃO RUSSA, A
Maurício Tragtenberg * R$ 22,00 * 176 páginas * Faísca

INSTRUIR PARA REVOLTAR – Fernand Pelloutier e a Educação
Gregory Chambat * R$ 26,00 * 112 páginas * Faísca

ANARQUISMO SOCIAL, O
Frank Mintz * R$ 20,00 * 96 páginas * Imaginário / Faísca / Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) / Coletivo Anarquista Terra Livre

ANARQUISMO, OBRIGAÇÃO SOCIAL E DEVER DE OBEDIÊNCIA
Eduardo Colombo * R$ 18,00 * 91 páginas * Imaginário

 ANÁLISE DO ESTADO / O ESTADO COMO PARADIGMA DE PODER
Eduardo Colombo * R$ 18,00 * 85 páginas * Imaginário

ESSENCIAL PROUDHON, O
Francisco Trindade * R$ 18,00 * 92 páginas * Imaginário

BAIRRO, A COMUNA, A CIDADE... , O – ESPAÇOS LIBERTÁRIOS (ESGOTADO)
Murray Bookchin / Paul Boino / Marianne Enckel * R$ 18,00 * 95 páginas * Imaginário

ESTADO E SEU PAPEL HISTÓRICO, O
Piotr Kropotkin * R$ 18,00 * 95 páginas * Imaginário

ANARQUIA – SUA FILOSOFIA, SEU IDEAL, A
Piotr Kropotkin * R$ 18,00 * 93 páginas * Imaginário

ESCRITOS CONTRA MARX
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 133 páginas * Imaginário

BAKUNIN, FUNDADOR DO SINDICALISMO REVOLUCIONÁRIO
Gaston Leval * R$ 20,00 * 96 páginas * Faísca / Imaginário

DEUS E O ESTADO
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 95 páginas * Imaginário

CATECISMO REVOLUCIONÁRIO / PROGRAMA DA SOCIEDADE DA REVOLUÇÃO INTERNACIONAL 
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 96 páginas * Imaginário e Faísca

IDÉIA DOS SOVIETES, A
Pano Vassilev * R$ 18,00 * 88 páginas * Imaginário/Faísca

ENGANADORES / A POLÍTICA DA INTERNACIONAL / AONDE IR E O QUE FAZER?, OS
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 96 páginas * Imaginário/Faísca

ANARQUIA, A
Errico Malatesta * R$ 18,00 * 95 páginas * Imaginário

INSTRUÇÃO INTEGRAL, A
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 94 páginas * Imaginário

NESTOR MAKHNO E A REVOLUÇÃO SOCIAL NA UCRÂNIA
Nestor Makhno / Alexandre Skirda / Alexandre Berkman * R$ 18,00 * 95 páginas * Imaginário

RACIONALISMO COMBATENTE, O
Ramon Safon R$ 18,00* 95 páginas * Imaginário

insubmissão, A
Leon Tolstoi *R$ 18* 95 páginas * Imaginário

revolução Mexicana, A
Ricardo Flores Magon *R$ 18* 95 páginas * Imaginário

NIILISMO SOCIAL, O
Fabrício Monteiro *R$ 18,75 *106 páginas* Annablume

ciência e a questão vital da revolução, A
Mikhail Bakunin  * R$18,00 *96 páginas * Faísca/Imaginário

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Da Comemoração à Rememoração: a procura de um outro sentido para o 7 de setembro em Patos de Minas ( o caso do professor Fernando em questão)*


No dia 7 de setembro de 2008, a cidade de Patos de Minas realizou, como acontece todos os anos, um desfile militar para comemorar o dia da independência do Brasil. Como era previsto, os militares promoveram um longo e demorado desfile, onde apresentaram sua banda, suas armas, seus carros... Como era também previsto, os civis, compostos por uma miríade de pessoas que iam desde homens até mulheres, passando por crianças e idosos, compareceram, em peso. Ambos, militares e civis, imbuídos do mais profundo senso patriótico se encontraram e se reuniram na Avenida Getúlio Vargas, mais especificamente em frente ao Fórum Municipal, para comemorar durante toda manhã a independência do seu querido e estimado Brasil.
          Mas, eis que de repente... surge, ou melhor, irrompe do nada um homem com uma faixa nas mãos, gritando várias palavras, um tanto quanto soltas e desconexas, em um aparente sinal de protesto. Para assegurar a continuidade e o desfecho do desfile, mas, também para acalmar “os bons cidadãos patenses”, que estavam “chocados”, a polícia militar prendeu o manifestante.
No dia seguinte, uma emissora local prestou os devidos esclarecimentos a respeito dos fatos ocorridos. O nome do manifestante era Fernando, tinha por volta de 27 anos, e trabalhava como professor de sociologia e filosofia em uma escola pública em Patos de Minas.
Curiosos quanto aos motivos que levaram o jovem professor a tomar uma tal atitude, os repórteres da referida emissora local foram a sua procura e lhe perguntaram  qual era o fator que havia originado o seu protesto. O professor Fernando lhes respondeu que o motivo do seu protesto encontrava a sua “razão de ser” nas atuais condições de ensino que existem nas escolas públicas, onde os salários dos professores são baixos e os índices de aproveitamento dos alunos são irrisórios, resultados inequívocos, argumentou ele avançando e concluindo sua explanação, do modelo econômico dependente do país.
Para além do trabalho que deu a polícia e, claro do choque que causou nos “cidadãos de bem” de Patos de Minas, a ação imprevisível e, por isso mesmo incômoda, do professor Fernando colocou aos patenses, porém não só, uma questão de suma importância: ora, há algum sentido em se comemorar, hoje, a independência do Brasil?
           Com efeito, aqueles que se recordam da História sabem que a libertação colonial, onde a nobreza brasileira colocou um fim na dominação política do império português, não conseguiu, de forma alguma, elevar o Brasil a condição de país independente. Muito pelo contrário, o fim da colonização portuguesa apenas fundou o início da dependência econômica brasileira em relação à Inglaterra.De lá para cá, essa situação não se alterou de forma substancial, a ponto de se dizer que o Brasil é um país independente. Pois o Brasil continua em estado de extrema dependência em relação ao mercado econômico internacional, ontem em relação ao inglês, hoje em relação ao estadunidense.
Diante do imenso quadro que constitui o tema em questão e, que foi apenas gizado nesse pequeno artigo, fica um tanto quanto difícil responder de forma positiva se há algum sentido em comemorar, hoje, a independência do Brasil.Todavia, quando voltamos o olhar para a atitude tomada pelo professor Fernando e analisamos a natureza do seu protesto, nos deparamos com uma segunda questão, que viria, por assim dizer, como que para substituir e atualizar a primeira: por que o professor Fernando, então, escolheu justamente o 7 de setembro para realizar o seu protesto?
Me arriscaria a dizer, mesmo correndo o risco de incorrer em um grande equívoco, que os fatores que o motivaram a escolher a referida data para realização do seu protesto, está vinculada a procura ( de caráter profundamente político) de um diferente sentido para o 7 de setembro, que não pode ser encontrado na comemoração, mas, sim na rememoração.
Diferentemente da comemoração, que procura apenas recuperar e atualizar a lembrança a respeito do que aconteceu no passado, legitimando, dessa forma, os interesses dos dominantes de hoje, que são herdeiros dos dominantes de ontem, a rememoração possui um sentido radicalmente diferente. Ela objetiva, a despeito de todas as dificuldades, retirar aquilo que ficou recalcado e reprimido nos interstícios da memória, trazendo a tona o que não teve, ainda, direito a lembrança.
          Todavia, a rememoração não se reduz a uma atitude nostálgica e romântica, que procura apenas lembrar o que foi esquecido. Muito pelo contrário, ela procura, sobretudo, impelir as pessoas a agir sobre o seu presente. Pois, a fidelidade ao passado não sendo um fim em si busca a transformação do presente.
Portanto, a escolha do professor Fernando não foi nada fortuita. Ela serviu para mostrar aos patenses, e a todos os brasileiros, que ao largo de todos esses anos de independência, o Brasil é, no sentido mais amplo do termo, um país dependente.Isso nos leva, inequivocamente, a colocar em questão o nosso presente, experimentado e vivenciado até então como vencedor, e a olhar para trás, buscando no passado uma outra referência para o presente e para o futuro do país. Essa outra referência se ancora, evidentemente, nas múltiplas experiências de resistência dos mais diversos grupos sociais, que possuíam, conscientemente ou não, um projeto independente para o Brasil, mesmo aqueles que foram construídos fora dos marcos das idéias de nação e de nacionalismo.
Com base na atitude tomada pelo professor Fernando e, no que sempre disseram os anarquistas, finalizo esse artigo reforçando a idéia de que é na ação direta, individual ou coletiva, que os vários sujeitos envolvidos no processo de transformação social encontram a ferramenta metodológica para materializar os seus objetivos, que, podem ser difíceis, mas, nunca impossíveis de se alcançar.

Thiago Lemos Silva é mestrando em História na UFU ( Universidade Federal de Uberlândia); membro do Coletivo Mundo Ácrata e co-editor da revista eletrônica de cultura política libertária " Eidos info-zine".
Notas:

*Artigo originalmente publicado em Eidos info-zine, Patos de Minas, nº 13, Fevereiro, 2009.Disponívelem:http://wwweidosinfozine.blogspot.com/2009/02/editorial-caros-amigos-depois-de-um-ano_8244.html.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Da liberdade outorgada à liberdade conquistada*


Em uma das minhas inúmeras idas e vindas pelos diferentes espaços do Centro Universitário de Patos de Minas, me deparei certa vez, com um casal de universitários, que, estavam a conversar, de forma despreocupada e descontraída. Assim, não pude deixar de ouvir tal diálogo. Na medida, em que o mesmo era carregado por um tom, extremamente, convincente e porque não dizer apaixonante. Comentavam sobre poesias? Do primeiro momento em que se viram, e, a flecha do amor, então, os acertou? Ou ainda, quem sabe, conjecturavam planos para o futuro?
Ah, nada disso parecia fazer parte da narrativa dos dois. Pois, os mesmos estavam a falar sobre como a nossa querida Patos de Minas, ironicamente ou não, conhecida também como “Patos-Paris” é avançada. Uma vez, que, a mesma apresenta ruas envolvidas por rampas, espaços públicos e privados (como o mais novo shopping) providos de elevadores, telefones públicos adequados para que qualquer um possa vir a desfrutar da hospitaleira Patos, inclusive, e porque não principalmente, pelos cadeirantes.
Entretanto, o que mais me chamou a atenção na conversa do referido casal foi a forma como eles faziam menção ao Unipam. Segundo eles, o Unipam era uma instituição de ensino superior inigualável. Inigualável, porque essa instituição abrigava “perfeitos” espaços para que as pessoas que utilizam cadeira de rodas transitem por ali. São tantas coisas... Rampas, corredores amplos, salas e laboratórios adaptados...
Mas, até que ponto essas idéias correspondem à realidade?
Ora, basta dirigirmos o nosso olhar para as ruas, estabelecimentos públicos e comerciais, meios de transportes (sistema viário), ou ainda para o próprio Centro Universitário de Patos de Minas, que iremos perceber que essa a afirmação não é totalmente verossímil. Em todos esses lugares as pessoas que fazem uso de cadeira de rodas, se deparam com vários obstáculos que dificultam ou até mesmo impossibilitam a sua livre circulação. Pois, estes lugares são permeados por escadas, buracos, entulhos e tudo o mais que se possa imaginar.
Ah, mas, talvez alguém possa torcer o bico e argumentar que o Unipam possui sim, uma infra-estrutura, que, é capaz de incorporar as inúmeras pluralidades em seu interior. Infra-estrutura esta composta por rampas, locais espaçosos e de fácil circulação e blá, blá, blá... E há até quem diga que, o UNIPAM é uma instituição moderna e progressista, onde o homogêneo e o plural convivem de forma harmônica.
Diante de tudo isso, será que os nossos cem bilhões de neurônios, que, ajudam a formar e processar a nossa memória estão se esvaecendo, ou, então, apenas fingimos que não lembramos de como era o espaço do UNIPAM há apenas alguns anos atrás? Espaço este, que, era constituído por escadas e mais escadas, e, que, foi somente depois que determinados universitários que utilizam cadeira de rodas reivindicaram seus direitos é que o UNIPAM começou a tomar algumas providências. Mesmo assim, com um certo tom de desconfiança, uma vez, que, o próprio reitor chegou até mesmo a mostrar para esses universitários a “planta” da instituição e dizer que ao seu ver nada precisaria ser feito. Pois, ele não via nenhum empecilho e dificuldade para que tais indivíduos circulassem por ali.
O fato é que se não fosse essas pessoas a dar o primeiro passo em prol de condições mais dignas e humanas, o UNIPAM ainda continuaria o mesmo de alguns anos atrás. Portanto, mesmo que, inconscientemente, os sujeitos que reivindicaram, lutaram e articularam entre si, em prol de seus direitos, acabaram por colocar em prática os princípios da ação direta, termo este tão caro aos anarquistas. Como já dizia Neno Vasco “se alguma instituição concede liberdades... que os interessados não reclamam... não será aplicada.... De nada valem liberdades escritas e permitidas no papel; valem as que os homens conquistam, usam, sem pedir licença ou permissão”.

Fernanda Caroline de Melo Rodrigues é graduada em História pelo Unipam (Centro Universitário de Patos de Minas); graduanda em Psicologia pela mesma instituição e co-editora da revista de cultura política libertária Eidos info-zine.
Notas:

* Artigo originalmente publicado em Eidos info-zine, Patos de Minas, nº 15, Abril, 2009.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ser jovem e ser pobre em Patos de Minas: um duplo delito (breve reflexão sobre a portaria 003/2009)*


No dia 11 de setembro de 2009, o Conselho Nacional de Justiça havia determinado a suspensão da portaria 003/2009, de autoria do juiz Joamar Gomes Vieira Nunes, que pertence a Vara de Infância e Juventude da Comarca de Patos de Minas. Todavia, o CNJ voltou atrás e decidiu, no dia 10 de novembro, manter a portaria em vigência. Como já havia sido mencionado nas edições anteriores do Eidos, a portaria 003/2009 institui o toque de recolher para os jovens menores de 16 anos, que, estão proibidos de circular entre as 23h e as 6h sem a companhia dos pais ou responsáveis.
Face às críticas sofridas, o juiz Joamar argumentou, paradoxalmente, que a finalidade da portaria em questão é a preservação da liberdade dos jovens bons, que vinha sendo colocada em xeque por algumas atitudes tomadas por jovens maus.
Todavia, podemos (e devemos) questionar: o que juiz Joamar entende por jovem bom e jovem mau?
Entre ditos e não ditos, ele próprio deixa escapar uma pista que pode fornecer os elementos necessários para responder essa pergunta. Por ora, acompanhemos a mesma e vejamos no que ela consiste.
De acordo com o referido jurista, o jovem bom é aquele que não rouba, não trafica ou consome drogas, não comete assassinato, enfim não comentem atos que infringem as leis. Ao passo que o jovem mau é aquele que se caracteriza, justamente, pela realização de tais práticas.Com base nisso, podemos perceber, mesmo que de forma velada, que o juiz Joamar estabelece correspondência entre a condição social dos jovens e os seus respectivos adjetivos morais. Dito de outra forma: os jovens considerados bons são os jovens ricos e os jovens considerados maus são os jovens pobres.
Diante de tal constatação nos deparamos com uma segunda pergunta, que viria, por assim dizer, substituir e atualizar a primeira: será que o juiz Joamar não se questiona por que os jovens pobres se tornaram jovens maus?
A esse propósito, o jurista supracitado não nos deu, seja de forma explícita, seja de forma implícita, nenhuma pista. Todavia, se levarmos em consideração o avanço da desigualdade social em Patos de Minas nas últimas décadas encontraremos ai um dado não negligenciável para a explicação do fenômeno vinculado a chamada “delinqüência juvenil” na cidade.
Com efeito, se analisarmos a pobreza resultante da exclusão que existe na sociedade patense, iremos nos deparar com uma triste, porém realista, constatação: existe hoje uma espécie de encurtamento de horizontes por parte destes jovens. Para estes, a única alternativa face a experiência da miséria parece ser o roubo, o tráfico ou consumo de drogas e o assassínio, ou seja, tudo que possa fazer para conseguir satisfazer suas necessidades imediatas de consumo.
Espantoso, contudo, que os diversos especialistas que participaram do processo de idealização e implementação da referida portaria não tenham atentado para tais questões e tenham ficado presos, somente, a querela de saber se essa era inconstitucional ou não.Talvez não seja tão espantoso quanto sugere, haja vista a mentalidade extremante acrítica de uma parcela expressiva da sociedade patense, que parece ter capacidade apenas para ver as conseqüências, mas, parece incapaz de ver as causas.
Por esse motivo, esconjuram o jovem infrator, porém, não se questionam porque ele existe!

Thiago Lemos Silva é mestrando em História na UFU ( Universidade Federal de Uberlândia); membro do Coletivo Mundo Ácrata e co-editor da revista eletrônica de cultura política libertária " Eidos info-zine".

Nota:
*Artigo originalmente publicado em Eidos info-zine, Patos de Minas, nº 22, Fev,2010.

Disponível em: http://wwweidosinfozine.blogspot.com/2010_02_01_archive.html

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NEPHISPO
(Núcleo de Estudos e Pesquisas em História Política)


CONVIDA

Noitadas Anarquistas

Palestra-debate:


O (des)encontro do Brasil consigo mesmo: ditos e escritos de Edgard leuenroth

com:

prof.dra. Christina Roquette Lopreato

Texto de apoio: Lopreato, C.R.. O (des) encontro do Brasil consigo mesmo: ditos e escritos de Edgard Leuenroth

11 de novembro, às 19:00h
Sala 1h48 – bloco H
UFU-Campus Santa Mônica
Uberlândia – Minas Gerais

Coordenação: profa. Jacy Alves de Seixas

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


O Coletivo Mundo Ácrata convida todos a participarem de seu I CURSO LIVRE DE ANARQUISMO.


O objetivo do curso é a discussão conjunta dos pensamentos, conceitos e práticas anarquistas “básicos”, partindo de seus “clássicos”. Convidamos todos aqueles que se interessem pelo tema, mesmo que não tenham qualquer estudo ou contato anterior com o anarquismo.
Não é necessária inscrição prévia ou qualquer tipo de pagamento.Ao fim de cada módulo temático, haverá emissão de certificado

INFORMAÇÕES DO PRIMEIRO MÓDULO: PIERRE-JOSEPH PROUDHON

Datas:

●1° Encontro: 06/11 (Texto base: Capítulo V de “O que é a propriedade?”)

●2° Encontro: 20/11 (Texto base: Capítulos VI ao XI de “Do princípio Federativo”)

●3° Encontro: 04/12 (Texto base: Capítulos I e III de “Sistemas de contradições econômicas ou Filosofia da miséria”)

●4° Encontro: 11/12 (Texto base: Excerto do Capítulo II de “Miséria da filosofia”)


→ Todos os encontros serão realizados aos sábados, 14:00 h, Sala (1H235)

Uberlândia-Minas Gerais

UFU-Campus Santa Mônica.


 Fonte: http://wwwacrata.blogspot.com